Redes Organizacionais: Uma Nova Forma de Gestão

Nas duas últimas décadas, têm surgido questões e discussões a respeito dos estudos e teorias que compreendem as práticas organizacionais. Diante disto, destacam-se vários temas relativos às novas formas organizacionais, como flexibilidade, redesenho organizacional, novos paradigmas, pós-modernismo e, de uma forma mais específica, times de trabalho, empowerment, organizações de aprendizagem e redes organizacionais.

Os especialistas apontam como traços das novas formas organizacionais a tomada de decisão mais frequente, rápida e complexa, a contínua e ampla aquisição de informação dentro e fora do ambiente organizacional, a distribuição de informações mais direcionadas e o melhor gerenciamento da aprendizagem organizacional.

Dentre as principais transformações na direção das empresas e nas práticas gerenciais em geral, destaca-se o desenvolvimento de organizações articuladas em redes, com a finalidade de agregar valor à sua cadeia produtiva.

É importante salientar que os traços que compõem as novas formas organizacionais trazem à tona a condição implícita da flexibilidade na gestão das organizações.

O surgimento de uma economia informacional global deve-se a transformações profundas ocorridas no ambiente econômico nos últimos anos, mais especificamente na organização da produção e na configuração dos mercados ao redor do mundo.

Apoiadas na tecnologia da informação, estas mudanças eram uma resposta das organizações ao acelerado ritmo dos acontecimentos.

Desenvolver a gestão em redes, ao mesmo tempo que possibilita articular vários saberes e habilidades em torno de uma atividade de forma dinâmica, estimula a iniciativa, a flexibilidade e a participação dos integrantes, direcionados ao incremento da conectividade. Isso faz com que as pessoas sejam o instrumento principal de geração de informação e conhecimento.

Participar de uma rede organizacional envolve, portanto, algo mais do que apenas trocar informações a respeito dos trabalhos que um grupo de organizações realiza isoladamente. Estar em rede significa comprometer-se a realizar conjuntamente ações concretas, compartilhando valores e atuando de forma flexível, transpondo, assim, fronteiras geográficas, hierárquicas, sociais ou políticas.

O que são redes?

Redes são sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos, de forma democrática e participativa, em torno de causas afins. Estruturas flexíveis e estabelecidas horizontalmente, as dinâmicas de trabalho das redes supõem atuações colaborativas e se sustentam pela vontade e afinidade de seus integrantes, caracterizando-se como um significativo recurso organizacional para a estruturação técnico e social.

Redes de Times reúnem duas ideias fortes:

• Times, nas quais pequenos grupos de pessoas trabalham com objetivo, motivação e destreza para atingir metas compartilhadas; e redes, nas quais diferentes agrupamentos de pessoas e grupos ligam-se para trabalhar em conjunto com base em um propósito comum.

Estas redes de Times são estruturadas para trabalhar com maior flexibilidade para resolver problemas. A transposição de fronteiras é um requisito cada vez mais importante devido ao surgimento de novas formas de conexão entre pessoas, em que organizações aparentemente isoladas passam a ocupar um espaço maior no mercado global.

Redes de Times são baseadas em: objetivos específicos em comum; participantes definidos; pessoas interligadas com ampla utilização da tecnologia da informação; multiplicação de lideranças e interligação e livre trânsito entre os níveis hierárquicos da organização.

Para que uma rede organizacional exerça todo o seu potencial, é preciso que sejam criados Times de Trabalho que atendam a alguns princípios:

• Existência de um propósito unificador, que pode ser definido como o espírito da rede. Pode ser expresso como um alvo e um conjunto de valores compartilhados pelos participantes, de forma esclarecedora, democrática e explícita.

• Participantes independentes, automotivados, não limitados por hierarquias. É o equilíbrio entre a independência de cada participante e a interdependência cooperativa do grupo que dá força motriz a uma rede.

• Multiplicidade de líderes, que podem ser caracterizados como pessoas que assumem e mantêm compromissos, mas que também sabem atuar como seguidores. Descentralização, independência, diversidade e fluidez de lideranças são atestados de autenticidade de uma rede que visa à transposição de fronteiras.

• Interligação e transposição de fronteiras, sejam elas geográficas, hierárquicas, sociais ou políticas. O alcance dos objetivos e propósitos é prioridade.

A constituição de redes organizacionais questiona frontalmente as relações interpessoais e interinstitucionais de poder. Participar verdadeiramente de uma rede implica aceitar o desafio de rever as formas autoritárias de comportamento às quais estamos acostumados e que reproduzimos.

Os estudos modernos sobre gestão consideram a forma flexível de estruturação como a mais adequada para a sobrevivência de organizações em ambientes turbulentos que caracterizam os dias atuais.

As novas formas de gestão baseadas em flexibilidade, trabalho em time, agilidade na distribuição de informações etc., culminaram com o desenvolvimento de organizações articuladas em redes. Estas estão sendo cada vez mais utilizadas, permitindo uma maior troca de informações e cooperação, não só em níveis operacionais, mas também no âmbito estratégico dessas organizações.

Esta entrada foi publicada em Newsletters Tailor Made Consulting. Adicione o link permanenteaos seus favoritos.

Uma resposta a Redes Organizacionais: Uma Nova Forma de Gestão

  1. LINO OLIVEIRA disse:

    Excelente matéria.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>